Greve suspensa

<i>Lufthansa</i> paga mais

A companhia aérea alemã Lufthansa e o sindicato Ver.di chegaram a acordo, dia 1, concluindo as negociações que se arrastavam há dois meses e pondo fim a uma greve que durou quatro dias.

Após dois meses de negociações e quatro dias de greve

O pessoal de terra e de bordo da transportadora regressou ao trabalho no último sábado, após uma paralisação de protesto que levou ao cancelamento de mais de 400 voos, cujas sequelas demorarão cerca de duas semanas a recuperar totalmente.
A contra-gosto a administração foi obrigada a ceder parcialmente às reivindicações salariais que abrangem um universo de 50 mil trabalhadores. O sindicato Ver.di exigia inicialmente uma revalorização anual de 9,8 por cento, justificando este valor com os lucros obtidos pela empresa nos últimos anos à custa do congelamento dos salários.
Por seu lado, a companhia oferecia uma actualização global de 6,7 por cento para um período de quase dois anos /(21 meses).
Após cedências de parte a parte, o acordo válido até 28 de Fevereiro de 2010 estabelece um aumento de 5,1 por cento com efeitos a 1 de Julho que será acrescido de mais 2,3 por cento na mesma data de 2009. Para além disso, todos os trabalhadores terão direito a um prémio único, parte do qual dependerá dos resultados da empresa, que poderá atingir os 2,4 por cento do rendimento anual.
Embora o acordo abranja tanto o pessoal de terra como o de bordo, o sindicato maioritário neste último sector, que emprega cerca de 15 mil hospedeiras e comissários, manifestou-se insatisfeito com o resultado obtido.
Joachim Müller, dirigente do UFO, notou que o aumento salarial acordado não ultrapassará os 4,2 por cento ao ano, valor que considerou «inaceitável» tendo em conta a revalorização de 15 por cento exigida por esta estrutura que representa 10 mil trabalhadores de cabine.
Responsáveis da Lufthansa lamentaram igualmente o desfecho do processo, notando que ele implica despesas suplementares de 100 milhões de euros. A este montante, a contabilidade deverá somar os prejuízos causados pela paralisação estimados em cinco milhões de euros por cada dia de greve.

Pilotos mobilizados

O conflito laboral na transportadora poderá no entanto ter novos desenvolvimentos caso os pilotos da Cityline e Erowings, duas filiais da Lufthansa, não vejam satisfeitas as suas reivindicações.
Reclamando a equiparação da grelha salarial destes cerca de mil pilotos com a da casa-mãe, o sindicato Vereinigung Cockpit (VC) declarou no início da semana estar disposto a convocar uma greve a qualquer momento.
Os pilotos destas duas empresas ganham em média menos 25 por cento dos que os seus colegas da Lufthansa. Para diminuir este diferencial, a administração ofereceu aumentos de seis por cento. A proposta foi considerada «não-negociável» pelo VC.


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